Even the mass murders of the twentieth century in Europe, China, and the Soviet Union probably killed a smaller proportion of the population than a typical hunter-gatherer feud or biblical conquest. The world’s population has exploded, and wars and killings are scrutinized and documented, so we are more aware of violence, even when it may be statistically less extensive. (...) My optimism lies in the hope that the decline of force over the centuries is a real phenomenon, that is the product of systematic forces that will continue to operate, and that we can identify those forces and perhaps concentrate and bottle them.
- Steven Pinker, The decline of violence
- Conhecem, os caríssimos auditores, um tal S. P., que parece que até é alpinista em vertente? - perguntou o Sr. T.
- Diz o dito Senhor, entre miríades de coisas outras ilustradas com papeizinhos de rebuçado, que o mundo contemporâneo é essencialmente não violento - pelo menos se o compararmos com os milhões de anos atrabiliários e brutais que o antecederam. P. diz mais: evoluímos claramente em direcção a uma cada vez menor violência porque somos seres na senda da razoabilidade. E tudo isto P. ilustra recorrendo a uma estatística nua. Apetece dizer: obrigado, S. P., ficamos verdadeiramente mais leves e menos esmocados, digo bem?
O Sr. T. fez uma pequena pausa, olhou aqueles que tinham que o ouvir, pelo menos de vez em quando, e continuou: - Trata-se outra vez de transmutar
Jerusalém Celeste numa ainda formosa
civitas terrestre, o paraíso na terra - e então, certamente, reinará a paz perpétua. Melhor, não há que fazer especificamente nada, o progresso, agora em termos muito mais humanos, é
de novo uma inevitabilidade sócio-biológica, agora com cada vez menos danos colaterais. Tal como, insiste-se, a economia, essa mão invisível. Temos a retoma de um obscuro do marxismo (o seu cientismo) pelo neo-liberalismo, agora em versão estatístico -probabilística - que são outros os terreiros actuais.
Mais, teríamos uma prova científica, porque estatística (do decréscimo de violência). Ah, os números, venham as vossas contas, meninos . E que provaria essa prova? Porventura, que a evolução encontra a providência?
- Certo fulano F. F. - acrescentou o Sr. T. - então um director do Grande Departamento, também ele pregou um paraíso de eficiência neo-l., e chegou a garantir:
cada vez mais, a lógica das modernas ciências naturais parece ditar uma evolução universal em direcção ao capitalismo.
- Notaram alguma semelhança? - lançou, mas imediato retomou a palavra.
- Sicrano, seja o matemático J. P., com não menor desenvoltura saltou da metáfora da auto-organização para a seguinte conclusão:
...estes progressos científicos vão sem dúvida transformar completamente a nossa concepção do político e do social, dando razão a um certo número de teóricos do liberalismo até aqui rejeitados em nome de a priori
ideológicos.
- Ora, pergunto-vos agora eu minhas andorinhas - concluiu então o Sr. T. - que provam estes humildes novos operários de um futuro radioso e esta sua nova providência? Onde há aqui matéria de prova?