- Tirei-o com a mão. Tomei a pastilha e tudo ruiu, como um cacho de uvas de células. Tive que mergulhar a mão no sangue que jorrava e puxá-lo, era um bonequinho percebes, um boneco morto, uma morte suja. Tive que meter a mão, Pai, como quem desenraíza uma planta perfeita.
- Não era uma pessoa, Eva.
- Então era o quê Pai?
- Uma parte de ti que estava doente, que houve que erradicar. Foste sujeita a uma pequena cirurgia, é como se te tivessem tirado um quisto.
- Um quisto, Pai? Um quisto? Como podes dizer isso?
- Não sobreviria, Eva. Nem ele, nem tu, não assim.
- E achas que eu sobrevivi?
- Estou apenas a dizer que ele não era uma hipótese. Não era ou tu ou ele, mas ou tu ou nada, percebes isto?
- Não. Nunca perceberei. E nunca te perceberei, Pai. Era tão mais simples se a dor fosse tua, fosse tua a culpa…
- Culpa, minha filha?
- Sim, a tua culpa. Porque no fim é da tua culpa que eu sou culpada. Ela veio antes de mim, a tua culpa. Mas fui eu que o arranquei com a mão, onde estavas?
- Filha…
- Odeio-te! Sai. Sai.
(cerra o pano)
- Não era uma pessoa, Eva.
- Então era o quê Pai?
- Uma parte de ti que estava doente, que houve que erradicar. Foste sujeita a uma pequena cirurgia, é como se te tivessem tirado um quisto.
- Um quisto, Pai? Um quisto? Como podes dizer isso?
- Não sobreviria, Eva. Nem ele, nem tu, não assim.
- E achas que eu sobrevivi?
- Estou apenas a dizer que ele não era uma hipótese. Não era ou tu ou ele, mas ou tu ou nada, percebes isto?
- Não. Nunca perceberei. E nunca te perceberei, Pai. Era tão mais simples se a dor fosse tua, fosse tua a culpa…
- Culpa, minha filha?
- Sim, a tua culpa. Porque no fim é da tua culpa que eu sou culpada. Ela veio antes de mim, a tua culpa. Mas fui eu que o arranquei com a mão, onde estavas?
- Filha…
- Odeio-te! Sai. Sai.
(cerra o pano)
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