Quinta-feira, Junho 25

Compostagem

'Num mundo hostil, nada é belo. O belo carece de caução e só o que não é ameaçador pode ser belo.' – O Sr. T. parara e pousava a caneta. Recordou que alguma coisa perto disto escrevera o Sr. K., aquele curioso senhor que o que mais apreciava numa exposição era dela poder voltar a sair.

Noutros tempos, os picos montanhosos, o deserto ou a grande vastidão vazia e gelada foram lugares demasiado ameaçadores para os europeus para serem belos. No início do século vinte houve que acertar o homem com a cividade da recta, depois … antes…

O Sr. T. voltou a pegar na caneta e escreveu: 'A arte e o ornamento são como clareiras abertas de sinais (de mijinhas) que tornam o mundo, bruto e simples, convincente para humano habitat. Ilustram-nos o mundo para a necessidade, dir-se-á. E então, P. tinha razão, mas A. também. As artes fazem o homem, que deixa de olhar o mundo sem mediação, como suspeitava o primeiro, e temos Narciso. Mas não, o homem é a mediação, retorque A., sem arte não há homem, e temos Pigmalião. E agora?'
Pousou a caneta. E agora José?
Oedipa, como ele em grande medida, permaneceria (turbulenta) na ignorância.

(é tempo de dizer que José era um dos primeiros nomes do Sr. T., apesar do bisavó republicano e de chupar pastilhas de mentol)