
Anacreonte dizia: a vida é uma boa volta ou a ausência de uma boa côdea.
O Sr. T gostava de ler e de escrever, de jardinagem e das conversas com Anacreonte, mas aqui dissentiam quase deselegantemente, não fora serem amigos desde os bancos da escola. Era mais do que isto a vida, dizia o Sr.T., não há côdea que encha a alma, nem boa volta que não devolva um solitário interrompido.
- Com certeza, T., há o vinho, a erva-cidreira, no Outono, os cogumelos, no Inverno, um bom livro, um sushi bem feito, um vagar num fogo a bem arder, ronceiro, mas seguro –, mas T., estás tu a plantar palavras – certo…? – e a miúda chega, olha para ti com olhos reprodutivos. Continuas, tu, o plantio?
- Insisto – instou o Sr.T. –, a miúda murchará, é uma questão de dias, como estancam as flores – a terra, essa, não se esgota.
- Tu, tu não existes, T. – acrescentou Anacreonte. – Uma boa volta e uma boa côdea era a resposta certa.
Mas existia. Não para aprumar viagens, sempre interiores à natureza humana. Não por vaidade ou corrupção. Mas, talvez, apenas por um absurdo orgulho ou esquiva perversidade. Fosse como fosse, o Sr. T. exigia ser tido em conta, entre côdeas e para lá de cambalhotas, que, a bom dizer nunca afirmara depreciar.
- Cada experiência importante deve ser registada. E, Anacreonte, o que fica das cambalhotas? Taças. Taças e o todo o laudatório da felicidade que já não discerne. Sentimentos da pele, é tudo. E o incómodo de um regresso à eterna solidão, nada mais.
- Aí, T., estás enganado, o mais importante é irretratável. E a pergunta, num entendimento pleno do mundo, deveria, talvez, ser qualquer coisa como isto: o que fica realmente entre as cambalhotas e as côdeas se não a digestão?