
A festa era rija, como nunca é de uma primeira vez. - há gajos assim, vão no escuro e é logo Ducasses.
Atentamente, viu-os torrar a goma, enrola-la num tabaco pouco e puxar numa ginástica combinada de boca e pulmões. Fez como os outros, puxou, travou. Depois, puxou uma segunda e uma terceira vez – de primeira para terceira, desta para a quinta, tudo em poucos minutos. Suou, ficou branco. - Acha que não chegou a meter a quinta. - O seu vómito rebentou no negro da porta da discoteca. Muito desfocadas, tinha as cores do arco-íris.
- Professor…
- Filipe! Que fazes aqui? O que é que te aconteceu?
Coro: - Precisa que o levem a casa, precisa, não vês?
(virando-se o coro para o imberbe pupilo)
- Michaux, os amigos entraram, ficaste para trás…
- Lowry , não tens dinheiro, esperas a caridade…
ÓÓÓ…
- ... e, Bud, o professorzeco, irá ele incarnar o bom samaritano, Bud? – pergunta o narrador, a um canto da taberna espanhola, súbito impondo-se, bem de pé, quase esticado demais.
Nesse preciso, irrompe o professor, já sob focos, que se dirige ao pupilo assim:
- Filipe, sabes tu o que é o bem?
- …
- Filipe, sabes onde moras?
O Filipe sabia. O táxi também. As luzes acompanharam professor e pupilo até que a porta se fechou, vermelha, nos olhos do professor. 'Deixei-o com as garrafas do leite', pensou o professor enquanto se afastava a passo curto.
Entretanto, na cena primitiva, abandonava já o narrador a taverna espanhola e dava entrada na discoteca, já a
teenager, bem na sua frente
, inocente como um animal, arrepanhava a mini para componho dos
collants. Os
collants eram pretos, de malha, torneados com mãos de seda, os olhos tremeluziam-lhe. Sorriu.
O professor baixaria os olhos, pensou. O animal quer sempre ver, cheirar, tocar, não sossega. Mas só ao narrador fora dado observar o que ora se narra e ao narrador cabe narrar, não necessariamente compreender.
O que são aqui o professor, o pupilo e a
teenager? O que me querem dizer? - pergunta-se o narrador. O que os move?- pergunta-se de novo.