
- Estou com um problema, pá.
- Usualmente, isso é uma excelente motivação. Mas, diz, diz.
- Há quanto tempo nos conhecemos?
- eh, pá, andávamos de calções?
- Pois. Agora, a Marta enche-me a casa de mulheres, pá. Quase todas mais jovens, quase todas atraentes.
- …
- Penetram e desaparecem, por vezes jantam, por vezes trazem filhos… um corrupio.
- …
- … percebes, algumas não precisam insinuar-se para ser insinuantes. Um dia, pá, vão ter aqueles sintomas. Um dia eu vou ter aqueles sintomas, pá. Pode nunca acontecer, mas pode acontecer amanhã. E depois, como é?
- Estás farto de saber…
- … não vais dizer-me que a infidelidade é natural, pois não?
- Para quê repetir o que já sabes? Não. Digo-te, apenas que esse tipo de problemas, não é o meu foro. Tu sabes. Nem sei se é um problema. Muito menos de saúde.
- Mas somos amigos. E eu estou a pagar 70 euros pela consulta. Tu é psiquiatra, exijo que me ajudes…
- Posso passar mais vezes por tua casa…
- Engraçadinho.
- ... T., estás farto de saber que não te posso ajudar. Nem vou cobrar. Isto é conversa de amigos.
- O problema persiste, pá, eu em plena taquicardia em depressão e o que me estás a dizer é que lavas as mãos.
- Também te posso dar os parabéns; ou dar-te uns folhetos que tenho para ali, coisas de relaxamento, orientais na maior parte. Porra, pá, que queres que te diga, que te encha de medicamentos? Dou-te duplamente os parabéns… És um exemplar preocupante dessa espécie que se designa por ‘boa pessoa’ e és um animal saudável…
- Por quanto tempo?
- Certamente, enquanto isso durar....